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Horizontina,26/02/2026

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Review Realme GT 8 Pro: falta 'tempero', mas é um bom flagship

tecmundo.com.br
Review Realme GT 8 Pro: falta 'tempero', mas é um bom flagship

Aqui no Brasil, quando a gente olha para os smartphones topo de linha, existem duas marcas que dominam e todo mundo já sabe: Apple e Samsung. Várias outras marcas, como a Realme, estão tentando conquistar essa parte do mercado. Mas ainda parece que falta alguma coisa.

Eu usei o Realme GT 8 Pro há pouco mais de um mês como meu celular principal. Ele é muito bom: a tela é de alta qualidade, as câmeras não decepcionam, ele tem poder de processamento de sobra e a bateria chega a durar dois dias.

Por mais que seja difícil não gostar desse smartphone, também é curioso como esse tipo de produto ainda não consegue bater de frente com o Galaxy S ou o iPhone. Mas vem comigo entender melhor essa história e do que o GT 8 Pro é capaz.

Design

A Realme fez umas escolhas interessantes nesse novo GT 8 Pro. Os cantos do celular ficaram mais arredondados, ainda que as laterais sejam retas. Já a traseira não é de vidro: ela usa um material de silicone que simula a textura do couro. É bastante macio e com texturas sutis.

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A traseira do GT 8 Pro não é de vidro (Foto: TecMundo)

Ele também está um pouco mais fino e menos pesado, mas são só quatro gramas a menos. É um design bem bonito e confortável. Mas no geral ele é um pouco “padrão”: laterais em alumínio, tela plana, botões na lateral direita, proteção IP68/69.

Eu gosto da escolha na posição das saídas de som: a de cima fica na esquerda e a de baixo, na direita. É bem difícil abafar o som quando a gente segura o celular de lado, principalmente para jogar.

A principal diferença está no módulo de câmeras: no GT 8 Pro ele é uma “capinha” que você pode trocar ou simplesmente usar sem. É uma abordagem muito massa para quem gosta de personalizar o smartphone, mas aí você talvez precise usá-lo sem case o tempo todo se não perde a graça.

Essa capinha tem dois parafusos minúsculos, é um negócio bem fácil de perder. Você só precisa tirá-los, trocar o módulo e parafusá-los de novo. 

Dá pra fazer esse processo bem rapidinho. Aí você pode deixar um módulo arredondado ou quadrado, além de ter a possibilidade de imprimir algum modelo próprio em 3D — algo que eu não vejo muita gente fazendo por aí.

Eu achei uma escolha bastante ousada. A maioria das fabricantes, ao menos nessa faixa mais cara, costuma não fazer mudanças tão bruscas no visual de uma geração para outra. 

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Você pode trocar o módulo de câmeras do Realme GT 8 Pro (Foto: TecMundo)

 

A Realme foi por outro lado e trouxe uma solução interessante, mas que pode não ser um diferencial importante para muita gente. É aquela coisa, a possibilidade existe. Agora resta saber se é uma proposta interessante o suficiente.

Vale notar que a Realme manda um kit com as chavinhas, parafusos extras e tudo pro usuário trocar esse módulo.

Mas tem um recurso legalzinho no design dele que tá me salvando um pouco. O GT 8 Pro tem um sensor infravermelho para controlar a TV, a lâmpada, o ar-condicionado e outros dispositivos. O controle da minha TV morreu, então às vezes eu uso o app da fabricante ou só a função de controle remoto do celular.

Tela

Outra assinatura dessa linha de ponta da Realme é a tela. A gente tem aqui um painel OLED de 6,79” com resolução de 1440p, taxa de até 144 Hz, Dolby Vision e um pico de brilho de até 7.000 nits. 

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A tela do Realme GT 8 Pro é de altíssima qualidade (Foto: TecMundo)

O brilho “real” que você mais vai se deparar fica entre 1.000 e 2.000 nits. De qualquer forma, é uma tela bem impressionante.

A Realme foi fazendo melhorias pequenas nesse display em relação ao GT 7 Pro, que já tinha uma baita qualidade. A resolução e o tamanho aumentaram um pouquinho, ela também é 500 nits mais brilhante, a taxa que era de 120 Hz subiu ainda mais.

Mas ele não tem a taxa variável que encosta em 1 Hz para economizar energia, recurso que está nos rivais da Samsung e Apple. E em raras ocasiões eu vi a taxa operando de fato em 144 Hz, já que ela é compatível com pouquíssimos jogos.

O que não dá para negar é que essa é uma tela de altíssima qualidade. O brilho intenso é só parte do pacote e realmente deixa a visibilidade muito boa mesmo em dias ensolarados, só que nada muito diferente do modelo do ano passado.

As imagens também ficam muito detalhadas nesse display e com cores vibrantes, além de ser muito fluido. Eu acho bem difícil se decepcionar com esse display, especialmente jogando, lendo ou assistindo.

Inclusive, a Realme manteve o leitor de impressão digital ultrassônico sob a tela. Ele continua extremamente rápido e numa posição bem confortável. Mas um ponto que me agrada mais é o som: ele fica muito bem encorpado, distribuído e é nítido.

Bateria

O Realme GT 8 Pro, em tela, é uma ótima opção nessa faixa premium dos celulares. Mas ele consegue se destacar mais quando a gente olha para a bateria. São 7.000 mAh de capacidade, graças à tecnologia do silício-carbono — o atual S25 Ultra tem 5.000 mAh, e o iPhone 17 Pro Max tem 5.088 mAh na versão eSIM.

A verdade é que poucos smartphones hoje em dia entregam uma autonomia tão confortável quanto esse da Realme e eu nem estou exagerando. Eu consegui usar ele, em média, por dois inteiros. Mas o meu tempo de tela foi bem mais equilibrado — comparando com quando eu testei o GT 7 Pro —, batendo cerca de dez horas de uso combinado.

Esse é um uso mais moderado, de fato. O celular consegue fazer um ótimo gerenciamento de energia e esquenta menos durante o uso, mas a capacidade maior ajuda a manter a longevidade. Em dias mais intensos, consegui usar o GT 8 Pro tranquilamente e, já pelo fim da noite, ainda tinha cerca de 30% a 40% sobrando.

Descarga média com vídeos: -3% (YouTube) e -5% (apps de streaming, como Disney+ e HBO Max).
Descarga média com jogos: -11% (CoD Mobile) e -12% (Genshin)

Ele até tem um modo de “proteção de emergência” quando chega a 1%. Aí o sistema limita um montão de coisas do smartphone, deixa realmente só o básico funcionando (telefone, mensagens, relógio), e não tem nem multitarefa. Mas você também consegue abrir outros apps normalmente se quiser.

O tempo de recarga é outro fator positivo, mantendo os 120 watts de potência. Ele demora um pouco mais que o GT 7 Pro, talvez por ter 500 mAh a mais. Porém, uma carga completa demorou somente 57 minutos com o celular ligado e cerca de 50 minutos com ele desligado. Em uma carga rapidinha de 10 minutos, o celular já tinha 27% da energia de volta.

Desempenho e software

Essa linha da Realme joga as especificações lá pro alto. É um desempenho muito firme, ele não fica nada atrás de outros grandes flagships. Mas isso acontece em praticamente todos os modelos mais caros: no hardware eles são todos muito bons, então as principais diferenças estão no software.

O GT 8 Pro tem o Snapdragon 8 Elite Gen 5, 16 GB de RAM e 512 GB de armazenamento. Ele é extremamente rápido e fluido, e com jogos ele claramente não decepciona. Ou seja, nada muito além do esperado. Mas ele parece sofrer com o mesmo problema da geração passada, que é esquentar demais nessas atividades pesadas.

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O Realme GT 8 Pro tem alto desempenho (Foto: TecMundo)

No GT 7 Pro, eu notei que ele começava a apresentar um leve stuttering quando eu estava jogando algum game mais pesado por muito tempo. Esse mesmo comportamento se repete no GT 8 Pro e eu notei alguns games perdendo FPS no meio da partida. 

A Realme cita que ele tem uma câmara de vapor gigante, o que me leva a crer que isso pode ser resolvido com uma otimização de software.

A gente também consegue observar isso nos testes de benchmark. No 3DMark, o celular perdeu um desempenho considerável em um teste de estresse, mas a temperatura não passou dos 45º. Ainda assim, o desempenho geral dele não é duramente impactado com esse problema.

Já o software dele carrega o sábio ditado “é melhor sobrar do que faltar”. Ele tem recursos avançados e adicionais em praticamente tudo: no gravador de tela, nas ferramentas de personalização, nos widgets e tela inicial. 

Você consegue ajustar melhor o tamanho das pastas, tem um “modo GT” que usa o hardware “no máximo” e muito mais — incluindo os próprios recursos do Google, como o Gemini.

A Realme ainda traz, é claro, uma série de recursos de IA. Tem um que é legal, mas muito difícil de acertar. Você usa aquele gesto de dois toques na traseira do celular e ele identifica datas ou eventos que estão na sua tela, aí você só confirma se quer adicionar na agenda. Tem até uma função que dá “dicas” no meio do jogo, mas a compatibilidade é muito baixa.

É um sistema muito polido, mas também parecido demais com o iOS. Prova disso é a “ilha dinâmica”, que mostra informações rápidas do celular (como do gravador de áudio ou tela, app de música, flash LED, apps de corrida). Tem também a central de controle e a gaveta de apps que lembram bastante o sistema da Apple.

Câmeras

As câmeras do Realme GT 8 Pro são muito boas. Eles fizeram boas mudanças nesse ano, incluindo uma parceria com a marca Ricoh que faz câmeras e lentes. É uma estratégia parecida com a Xiaomi e a Leica.

Câmera principal: 50 MP
Telefoto: 200 MP (3x óptico, 120x digital)
Ultra-angular: 50 MP
Frontal: 32 MP

Eles fizeram melhorias em praticamente todos os sensores. O principal está mais claro, o que resulta em fotos mais bonitas até em baixa luz; o telefoto agora tem 200 MP, o que ajuda a usar o zoom sem perder muita qualidade; a ultra-angular deixava muito a desejar no GT 7 Pro, mas nesse novo já se aproxima do iPhone e do Galaxy S; e a frontal agora tem o dobro da resolução e é um pouco mais aberta.

As fotos que eu fiz com esse smartphone ficaram ótimas, especialmente porque elas passam por um baita pós-processamento que deixa as cores bem vivas, mas sem comprometer texturas e detalhes. Algumas ficam até com um aspecto mais dramático, parecendo uma “foto de câmera” mesmo.

Mas eu notei as maiores diferenças na lente ultra-angular, que antes tinha somente 8 MP e um desempenho fraco. Agora, no GT 8 Pro, essa lente manda muito bem. O único ponto negativo é que ela não tem foco automático, diferente dos principais concorrentes.

Já nos vídeos o aparelho também faz um trabalho interessante, mas em um nível abaixo, novamente, do Galaxy e do iPhone. Na prática, ele parece inverter o processo das fotos: as cores ficam menos saturadas, com tom mais opaco em algumas cenas, enquanto os detalhes que ficam em volta não aparecem com tanta nitidez.

Mas ele não faz feio. Grava em até 8K, tem a função de filmar em 4K com 120 fps, traz compatibilidade com Dolby Vision. Eu não diria que fiquei decepcionado nesse ponto, mas também não me impressionou.

Encerramento

Até aqui está bem claro que a Realme quer seguir investindo nessa faixa de smartphones topo de linha e, ainda mais que isso, quer apostar em mais novidades para esses aparelhos. O GT 8 Pro é uma baita opção além de Apple e Samsung, mas esbarra em pontos que a concorrência já ultrapassou faz tempo.

E isso inclui uma identidade mais clara de software, coisa que a Realme vem trabalhando muito bem; refinamentos gerais para as câmeras; estabilidade do hardware para aproveitar todo esse poder.

A Realme também vem passando por um movimento interessante. A empresa nasceu como uma submarca da Oppo, que queria atingir o público jovem. A ideia deu tão certo que a Realme virou uma empresa independente logo depois de lançar o seu primeiro smartphone. Agora, oito anos depois disso, ela volta a ser uma submarca da Oppo.

Essa “nova parceria”, digamos assim, deve “reunir recursos e reduzir custos para as duas empresas”. Ainda não está claro como vai ficar o portfólio dessas duas empresas, ou se alguma delas vai focar mais em uma faixa de mercado específica. Mas isso deve trazer um gás extra à Oppo, que chega em 11% da fatia global de mercado e ocupa a quarta posição com o movimento.

É aquela coisa: a Realme nasceu para um público entusiasta, cresceu até atingir públicos cada vez maiores (e conseguiu), mas ainda fica atrás dos outros gigantes. Aqui no Brasil, por exemplo, o GT 8 Pro foi anunciado por R$ 7 mil, enquanto a edição especial custa R$ 8 mil.

Esse não é um valor exorbitante no mundo dos celulares que já são caros, mas também não é muito atraente. O ponto é que, mesmo assim, esse é um valor difícil de brigar com um Galaxy S ou um iPhone, que têm mais apoio popular.
 




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