Governo Trump quer proibir componentes chineses em data centers
O governo dos Estados Unidos estaria planejando proibir o uso de componentes para data centers fabricados na China em uma nova estratégia de reduzir a presença de tecnologia desenvolvida no país asiático em sua infraestrutura de IA. Detalhes da medida foram revelados pela Reuters nesta terça-feira (4).
Fontes entrevistadas pela agência de notícias disseram que os modelos mais recentes de transceptores ópticos chineses são os principais alvos da proibição, que é preparada pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC). O órgão e a Casa Branca não comentaram o assunto, enquanto a embaixada chinesa criticou a possibilidade de sanção.
Risco de espionagem
De acordo com a reportagem, o governo Trump teme que empresas sediadas na China utilizem os equipamentos instalados nos data centers para espionar e roubar tecnologia americana. O transceptor é um dispositivo compacto com capacidade de converter sinais elétricos em impulsos de luz e vice-versa.
- Com isso, o aparelho permite a transmissão de dados em redes de fibra óptica na velocidade da luz, agilizando a comunicação nos centros de dados;
- O relatório cita que a proibição objetiva impedir o roubo de dados, a instalação de malware e a interrupção do funcionamento das instalações usadas para treinar e executar modelos de IA;
- Segundo o especialista em políticas de IA da Beacon Global Strategies, Divyansh Kaushik, esses equipamentos “definitivamente representam um risco”;
- Para ele, é fundamental garantir a segurança da cadeia de suprimentos dos data centers à medida que a infraestrutura da tecnologia vem sendo ampliada.

A possibilidade de proibição dos componentes chineses é defendida pelas autoridades americanas como forma de evitar o que aconteceu em relação à Huawei, cujos equipamentos de telecomunicações estavam fortemente integrados à infraestrutura americana. Os esforços de remoção após a sanção da big tech foram caros e lentos.
No entanto, a restrição aos transceptores ópticos da China pode aumentar os custos para as plataformas de computação na nuvem, como a Amazon Web Services (AWS). Essas empresas seriam obrigadas a usar equipamentos fabricados por marcas americanas como Lumentun e Coherent ou ligadas a países aliados.
China pede mudança de postura
Em nota à publicação, a embaixada chinesa em Washington criticou a possibilidade de proibição dos componentes e pediu às autoridades americanas que “parem de difamar empresas chinesas e de ameaçá-las com sanções”. O órgão disse, ainda que poderá agir contra a restrição, caso ela realmente aconteça.
“A China tomará todas as medidas necessárias em resposta a qualquer ação que cause danos materiais aos seus interesses”, disseram os representantes de Pequim. Uma das principais fabricantes de transceptores do mundo, a Zhongji Innolight pode ser a maior afetada.
O plano elaborado pela FCC deve entrar em vigor ainda este ano, como afirmaram as fontes, embora elas também tenham citado a possibilidade de mudança e até arquivamento da sanção.
As duas superpotências podem debater os rumos da IA em um encontro supostamente marcado para o fim de setembro. Saiba mais nesta matéria.





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