Encontro Mulheres destaca protagonismo feminino na programação da Famurs na Expointer
Realizado pela Federação das Associações de municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), o Encontro Mulheres reuniu mais de cem participantes no Centro de Eventos Carlos Rivaci Sperotto, na Expointer. A primeira dama municipalista, Ruth Ruschel, conduziu o evento que teve o protagonismo das mulheres na gestão pública, no empreendedorismo e na construção de uma sociedade com mais oportunidades como temas recorrentes em todas as falas.
Na abertura, o presidente da Famurs e prefeito de Imbé, Ique Vedovato, destacou a capacidade das mulheres de conciliar diferentes responsabilidades e ressaltou a importância da ampliação da presença feminina nos espaços políticos e de decisão. Em tom descontraído, Vedovato brincou que aquela era uma programação “das mulheres e do menino”, em referência ao filho que acompanhava a mãe no palco, e aproveitou a cena para reconhecer uma realidade vivenciada por muitas mulheres, que conciliam maternidade, família e vida profissional.
A primeira-dama de Esteio ressaltou a dimensão da Expointer e a presença de visitantes de diferentes regiões. “Durante essa semana, Esteio se torna a capital dos gaúchos”, afirmou. Em sua manifestação, também destacou o avanço da participação feminina nas estruturas públicas e a valorização da capacidade das mulheres por parte das administrações municipais.
A secretária estadual Ana Costa reforçou que a autonomia passa pelo direito de cada mulher escolher a própria trajetória. Segundo ela, as mulheres não devem lutar apenas para sobreviver, mas para viver plenamente, respeitando suas diferentes vocações — seja nas artes, no cuidado com a família, nos negócios, no campo ou na gestão pública.
Ao abordar as políticas de enfrentamento à violência, a secretária chamou a atenção para o Ônibus Lilás, colocado à disposição dos municípios. Ana convidou especialmente as primeiras-damas presentes na Expointer a conhecerem a estrutura e avaliarem possibilidades de desenvolver ações em seus municípios. “Não adianta ele ser do Estado, ele precisa estar em todos os cantos do Rio Grande do Sul”, defendeu.
A secretaria finalizou cantando o Hino Rio-Grandense. E adaptou um dos versos para reforçar a mobilização feminina: “Mulher, sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra. Porque vamos mudar esse mapa da violência”.
Uma trajetória contada entre histórias e música
A programação seguiu com Shana Müller, que iniciou sua participação cantando “Tocando em Frente” junto ao público. Cantora, jornalista, comunicadora, empreendedora e mãe, Shana conduziu o “Fora de Tom”, definido por ela não como uma palestra, mas como uma “conversa musicada”, na qual utilizou diferentes momentos de sua trajetória para falar sobre escolhas, persistência, protagonismo e transformação.
Filha de funcionário do Banrisul, Shana contou que as mudanças de cidade fizeram parte de sua infância e foi em Alegrete que teve seu primeiro contato com um CTG e decidiu que queria ser prenda. Aos 12 anos, recebeu o convite para gravar sua primeira música. Mais tarde, uma derrota em um concurso realizado em Ijuí se transformou em aprendizado: ela persistiu, aguardou uma nova oportunidade e conquistou o título de 1ª Prenda Juvenil.
A clareza sobre o futuro também apareceu cedo. Ao ser questionada, durante uma entrevista, sobre o que gostaria de ser quando crescesse, respondeu: “cantora e jornalista”. Para ela, as oportunidades precisam encontrar pessoas preparadas: “Não basta o cavalo passar encilhado, é preciso saber montar”, dizia um de seis slides.
Apesar da presença de cantoras desde a primeira edição do Galpão Crioulo, Shana Müller foi a primeira mulher a apresentar o programa. A experiência serviu para reforçar uma das mensagens centrais do evento: as mulheres não precisam ocupar determinados espaços apenas como convidadas — elas também pertencem a eles.
Shana também defendeu o papel da música e da arte na formação de comportamentos e percepções. Ao se posicionar publicamente contra a objetificação feminina presente em algumas composições, enfrentou críticas e ataques nas redes sociais. A repercussão, entretanto, provocou uma nova reflexão sobre a baixa presença de mulheres entre os compositores da música regional.
Em vez de permanecer apenas no âmbito da crítica, ela decidiu incentivar a mudança. Assim surgiu o Peitaço da Composição, iniciativa realizada em um galpão na fazenda da família e voltada a estimular mulheres a compor suas próprias histórias e assumir o protagonismo também na criação musical.
A maternidade foi outro ponto de destaque de sua fala. Shana contou que a experiência trouxe amadurecimento e ampliou seu desejo de contribuir para a construção de um mundo diferente para os filhos. A descoberta do autismo de Chico também transformou sua maneira de compreender comportamentos e diferenças.
Ao compartilhar essa experiência, reforçou que o autismo não é uma doença e, portanto, uma criança autista não precisa ser “curada”, mas compreendida e respeitada. Para Shana, conviver com as diferenças exige abandonar a expectativa de que todas as pessoas correspondam a um mesmo padrão de normalidade e desenvolver maior capacidade de compreender a realidade do outro.
Entre música, relatos pessoais e reflexões, Shana encerrou o “Fora de Tom” interpretando “Todo Cambia”, de Mercedes Sosa. A escolha sintetizou a mensagem que atravessou o encontro: trajetórias, espaços e realidades podem mudar — e as mulheres têm papel fundamental na construção dessas transformações.
Para encerrar a programação, o público acompanhou a apresentação musical do Galpão das Patroas, fechando o Encontro Mulheres com música e valorização da presença feminina na cultura gaúcha.
As atividades promovidas pela Famurs na 49ª Expointer contam com o patrocínio de Banrisul, Sicredi, Badesul, BRDE e Governança Brasil, além do apoio institucional da Confederação Nacional de Municípios (CNM).





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